Reportagens

O Papa da Proximidade

Andrey Princival Gabardo

Viviani Moura 

 

Conectado. De acordo com o dicionário Aurélio é o sujeito que se une por meio de uma conexão; fazer uma ligação a um computador, dispositivo ou a uma rede de computadores ou aparelhos. O termo conectado, que à primeira vista pode parecer simplista demais, pode ser a definição adequada para o papa Francisco. Um homem conectado, e não apenas por possuir contas nas redes sociais da internet, algo que por si só já merece grande destaque e atenção, mas também remete a conexões humanas, à proximidade com os fiéis a Igreja Católica e de outras denominações religiosas.


Uma pessoa conectada com as diferenças com as minorias, aberto a falar de assuntos delicados. Um homem conectado à época em que vive, utilizando as tecnologias disponíveis, sem se esquecer de suas raízes, de sua origem e acima de tudo, de uma palavra que o acompanha desde a época de leigo, até no momento da escolha de seu nome para papa: a humildade. Um homem conectado também com o mundo, com os desafios econômicos, políticos e ecológicos que o planeta enfrenta. Conectado com as pessoas, desde as crianças, jovens, adultos e idosos, que veem Francisco, não apenas como líder de sua religião, mas como alguém muito mais próximo: como um amigo, um irmão, um pai, um avô. Francisco se faz presente, se faz humano, se faz próximo.


A cada dia que passa, o papa tem conquistado a admiração e atenção de muitas pessoas ao redor do mundo. Seja por tratar de um tema delicado e promover debates, como quando disse “quem sou eu pra julgar” em resposta a uma jornalista que o questionava sobre o que ele pensava sobre os homossexuais; seja quebrando protocolos, como quando abraçou e gargalhou com uma brasileira durante um evento com jovens de diversos países; seja reaproximando nações, como fez com Estados Unidos e Cuba. 




Além da ampla repercussão por meio dos veículos de comunicação, como emissoras de rádio, televisão e internet, o que chama atenção é o fato do papa possuir perfis próprios nas redes sociais. Por meio de suas contas no Twitter e no Instagram, mensagens de fé, esperança e amor são publicadas e vistas por milhares de pessoas ao redor do mundo todos os dias.

 

Além disso, são postados versículos bíblicos, e não raramente frases de impacto, relacionadas a um grande tema em discussão na sociedade, além de publicar fotos e vídeos de encontros, reuniões e eventos que participa. Assim, o canal de comunicação é o próprio papa, que não precisa de intermediários para levar sua mensagem diretamente ao seu público, os seguidores e fiéis.


Francisco não é pioneiro no que diz respeito ao uso das redes sociais da internet. O primeiro a utilizar as redes foi o papa Bento XVI, que inaugurou a conta pontifex no Twitter, em novembro de 2012. Ao ser eleito papa em 2013, Francisco não apenas deu continuidade ao Twitter, mas ajudou a aumentar o número de seguidores na rede social de 140 caracteres. Se somadas todas as contas do papa no Twitter, isso porque ele tem vários perfis com idiomas diferentes, o número chega a marca de quase 38 milhões de usuários o seguindo. A versão que concentra maior número de seguidores é a em espanhol com 14 milhões e setecentos mil seguidores. Na versão em português, o perfil do papa no Twitter tem aproximadamente 3 milhões e cem mil seguidores. 


Em março de 2016, após uma reunião com Kevin Sistrom, presidente-executivo e co-fundador do Instagram, Francisco decidiu usar o aplicativo. Para Sistrom, a entrada do papa no Instagram, algo do presente, servirá de registro histórico para o futuro. “Sua mensagem de humildade, compaixão e misericórdia vai deixar uma marca duradoura”, declarou durante entrevista para a imprensa após o encontro com o papa. A primeira postagem de Francisco no Instagram aconteceu no dia 19 de março de 2016, e obteve mais de 320 mil curtidas. O fato, ganhou repercussão mundial, e centenas de jornais em todo o planeta, noticiaram com destaque que o líder Igreja Católica também estava a partir daquele momento conectado ao Instagram.


Diferentemente do Twitter, onde existem várias contas em separado, em idiomas diferentes, a conta de Francisco no Instagram é única, com a legenda das fotos traduzidas para idiomas diferentes. Desse modo, um único perfil do Instagram, concentra fiéis dos mais diversos países. Atualmente o perfil @franciscus no Instagram possui quase 5 milhões de seguidores, que além de acompanhar as postagens de Francisco podem interagir diretamente com ele, curtindo e comentando suas publicações. A maioria das legendas das fotos do Instagram são traduzidas para cinco idiomas distintos: inglês, espanhol, francês, italiano e português. Outros idiomas aparecem ocasionalmente nas publicações, como é o caso do alemão e do árabe, quando determinada postagem engloba de alguma forma, um tema relacionado a países pertencentes aqueles idiomas.


No Facebook e no Youtube o papa Francisco não possui conta própria até o momento, mas tem conteúdos, como notícias de seu pontificado, fotos, vídeos, homilias e orações publicados nas contas oficiais do Vaticano nessas redes.


Para a especialista em mídias sociais Fernanda Musardo, a inserção do papa Francisco nas redes sociais possibilita o contato direto do fiel com o líder religioso. “Quantas pessoas no mundo poderiam ter acesso ao papa pessoalmente ou próximo fisicamente? Muito poucas.” Estar ativamente no ambiente virtual permite ao papa levar sua palavra a milhões de pessoas que não poderiam ter um contato mais próximo. Tal fato auxilia até mesmo o papa que não conseguiria atingir tantas pessoas em suas missas ou missões, esclarece a especialista.



A pós-doutora em comunicação Joana Terezinha Puntel, explica que o papa além de estar inserido no ciberespaço, também dá continuidade ao pensamento do papa Bento XVI em relação às novas tecnologias. Assim como Bento XVI, papa Francisco tem aproveitado o universo digital para evangelizar. Porém, há algo peculiar em Francisco, como por exemplo, ao convocar em 2016 o Ano Santo da Misericórdia, ele na Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações do mesmo ano, apresenta o quanto a comunicação pode contribuir para a vivência da compaixão.

 

Ou seja, o pontífice costuma fazer este link, mostra que tudo está interligado, conectado. Também ao se referir às mídias sociais, incentiva a cultura do encontro e o quanto a comunicação, os meios e as mídias sociais podem favorecer esta proximidade.  


 

O papa Francisco além de fazer-se presente na rede também procura deixar a sua identidade registrada. No dia 8 de maio de 2016, postou no Twitter a foto de uma mensagem escrita a mão por ele mesmo. A foto em formato digital traz a marca do papa, o seu toque, a sua caligrafia, a sua intimidade. Revelar isso aos seus seguidores gera empatia, afeto, calor humano.

 

O jornalista e doutor em Comunicação, Moisés Sbardelotto, considera esta postagem como um dos momentos mais significativos da presença virtual de Francisco nas redes. “Francisco não apenas ‘usa a tecnologia’, mas sabe captar as lógicas da cultura digital e, portanto, está ‘conectado’ com os tempos e as linguagens mesmo quando não está na frente do computador”.

 

Francisco revela que a ligação que tem com os seguidores das redes sociais é a mesma das relações interpessoais, um vínculo de proximidade e afeto. Esta atitude não é recente, vem desde quando vivia na Argentina.

 



 

Moisés Sbardelotto, doutor em comunicação e estudioso da presença do papa na internet

 

 

A jornalista e professora Glória Batalha tem algumas lembranças do bispo Jorge Mario Bergoglio. Recorda-se que certa tarde foi à Villa 21, assentamento precário localizado na cidade de Buenos Aires. Dirigiu-se à casa paroquial, em que o Padre Pepe di Paola era o responsável. Os sacerdotes que ali moravam não tinham voltado ainda das atividades pastorais. Ela entrou e viu um homem de roupas pretas na cozinha, acendendo o fogo, “não sei se era para preparar o mate ou o jantar para os sacerdotes”. Gestos cotidianos e naturais presenciados pela jornalista ao se recordar do bispo Jorge Mario Bergoglio, o atual papa Francisco.


Gloria, acostumada em sua profissão a fazer perguntas, nesta reportagem é convidada a colocar-se do outro lado, a de entrevistada. Sente-se muito agradecida pelas marcas positivas que o cardeal Bergoglio deixou em sua vida. Ela nem sequer imaginava que, anos mais tarde, este mesmo homem de roupas pretas que avistou na cozinha de uma casa canônica em um bairro pobre portenho, seria escolhido como o líder da instituição religiosa com o maior número de fiéis no mundo, e que em sua primeira aparição, no dia 13 de março de 2013, no balcão da Praça São Pedro, Jorge Mario Bergoglio usaria a partir de então, uma batina toda branca, iria optar em usar sapatos pretos já gastos em vez de vermelhos, traje mais austero e escolheria continuar com a sua cruz de ferro em vez de substituir por uma de ouro. Passaria a usar um anel, representando seu poder papal, e, seria de prata dourada, em vez de ouro maciço e também fazendo jus aos seus hábitos humildes, também iria preferir automóveis mais simples para a própria locomoção. 

 


 

Papa Francisco em sua fala demonstra espontaneidade, sinceridade e convicção. E sua comunicação é global, todos compreendem a sua mensagem.

Crédito: L’Osservatore Romano

 

 


Papa Francisco, enquanto cardeal de Buenos Aires tinha as suas saídas noturnas pela capital da Argentina, para encontrar as pessoas em situação de rua, e fazia parte da sua vida, as visitas às pessoas das periferias portenhas, atitudes que também justificam o nome escolhido como papa.


Desde a escolha do nome, Francisco já inicia a sua comunicação ao mundo inteiro. São Francisco de Assis trocou as roupas da corte por sacos, uma vestimenta sóbria, austera. É de se notar que a sobriedade parece estar no DNA dos dois Franciscos.  Esta simplicidade não se reduz a vestimenta e a empatia com os mais simples, mas também se estende na linguagem utilizada pelo papa que consegue abranger a todos.


Para a doutora em Teologia Dogmática Vera Ivanise Bombonatto, o papa tem um estilo comunicativo que é próprio dele, sendo capaz de unir os contrastes, de apresentar as questões mais difíceis com leveza e elegância. “Sua comunicação é provocativa e, ao mesmo tempo, respeitosa da pessoa humana, seja qual for seu nível acadêmico, sua raça ou sua idade. Espelhando-nos na comunicação do papa Francisco, todos nós sentimos necessidade de rever e melhorar a nossa comunicação”, afirma Vera. 

 


 

A profundidade e clareza ao falar, como acontece com Francisco, também podem ser encontradas em outras personalidades religiosas. Quem já não ouviu a canção: “Abençoa, Senhor, as famílias! Amém! Abençoa, Senhor, a minha também”. A música “Oração pela Família” do primeiro padre cantor, padre José Carlos Fernandes, mais conhecido pelos brasileiros como padre Zezinho, se encontra no imaginário das pessoas. O sacerdote coerente, inquieto e preocupado com a vida da Igreja, com as dores e dramas do mundo, da sociedade e da família, também é escritor, compositor e professor.  Ao falar do papa Francisco, fala com alegria e esperança. Ele diz que em Buenos Aires, Bergoglio já era um grande comunicador. “Meus colegas padres diziam que ele sabia chegar ao povo. A maneira dele falar, todo mundo entendia, mas era profunda. Como papa ele continuou fazendo a mesma coisa. Ele é simples, sólido, e é muito capaz de ir ao ponto com poucas palavras, sabe ser sucinto”, afirma. 

 

Assim como para o padre Zezinho, a voz é o instrumento profissional importante para o jornalista e doutor em comunicação Silvonei José Protz, que há 27 anos, que se dedica à Rádio Vaticano. É reconhecido pela voz marcante na transmissão da tradicional Missa do Galo. Durante este tempo em que trabalha na emissora, apresenta programas e orações aos fiéis de língua portuguesa do mundo todo. Teve a oportunidade de acompanhar o pontificado de João Paulo II, Bento XVI e agora o de Francisco. Durante a trajetória profissional, voltou-se para um jornalismo com teor mais religioso e social, neste caso a religião católica e os direitos humanos. Já fez a cobertura de diversos eventos do papa Francisco.

 


 

Ao começar a falar sobre o pontífice, Silvonei abre um sorriso e revela não só uma proximidade física do seu trabalho, pois a Rádio Vaticano fica a aproximadamente a 1 km de distância da Praça São Pedro, mas demonstra também uma admiração por Francisco. Ele conta que o papa abriu uma grande avenida para que a comunicação do Vaticano seja uma comunicação mais ágil, mais participativa com todos os elementos da Cúria Romana e deseja que essa comunicação chegue à realidade das Igrejas locais. “Não é simplesmente falar por falar ou abrir a boca para encher um espaço. Ele quer comunicar e esta comunicação ele faz da melhor maneira possível, tocando o coração das pessoas. E este tocar, quando produzimos esta reação de emoção faz com que as pessoas se transformem também”, diz o jornalista.

 

Além de Silvonei, a brasileira Andressa Collet, jornalista e PhD em Comunicação, também trabalha na redação brasileira da Rádio Vaticano. Faz diariamente a cobertura da vida e das viagens apostólicas do papa Francisco. Já passou por outros veículos de comunicação e por outras editorias, mas reconhece que o trabalho de 'assessoria' do papa é um dos mais valorosos que já teve. Andressa tem um direcionamento familiar que a conduz a olhar o próximo com amor, e vê este estímulo ser renovado todos os dias pelo papa, e isto para ela se torna transformador.  Mesmo assessorando o papa Francisco, ela ainda não teve a oportunidade de entrevistá-lo. “Coisa rara inclusive para funcionários da casa”, afirma Andressa.

 

Andressa Collet encontra o papa Francisco na Páscoa de 2017.

Crédito: L'Osservatore Romano


Somente este ano fez a experiência de estar próxima fisicamente do pontífice e conversar com ele. “Meu contato mais próximo, porém, finalmente aconteceu na Páscoa deste ano de 2017. Depois de trabalhar na transmissão da celebração do domingo de manhã, podíamos cumprimentar o papa pessoalmente. E foi o que aconteceu. Tive o privilégio de apertar a sua mão, de agradecer pela sua coragem por tudo o que vem fazendo pela humanidade. Também levei uma imagem de Nossa Senhora Desatadora dos Nós para ser abençoada e uma foto com a minha irmã, com a intenção de receber uma bênção especial para que ela conseguisse engravidar. Foi quando o papa me ouviu e disse para eu rezar para São Raimundo Nonato. A surpresa pós-encontro? Fiquei eu grávida, um mês depois”, relembra Andressa.

 

 

 

 

Papa Francisco e a freira brasileira Clarice Wisniewski tem algo em comum. Além de serem religiosos, os dois receberam nomeação para cargos importantes no ano de 2013 e foram morar em Roma. Francisco como o novo papa da Igreja Católica e Clarice foi nomeada vigária geral da Congregação das Irmãs Paulinas. Ela reconhece o estilo comunicativo de Francisco como transformador. No ano de 2013, teve a oportunidade de participar de uma missa na Capela Santa Marta, para um grupo restrito de cerca de 20 pessoas. A religiosa afirma que não sentiu Francisco como um papa, um pai ou uma autoridade, mas sim como um irmão. “A presença do papa Francisco é uma presença comunicativa e envolvente, porque parte da comunicação mais básica, a primeira marca é o seu sorriso, o seu olhar, o abraço, a acolhida e com estes gestos ele é um papa que sabe surpreender”, explica Irmã Clarice.

 

Quem está próximo fisicamente do papa Francisco, por conta do trabalho que desenvolve na Santa Sé, é o Monsenhor Dario Edoardo Viganò, Prefeito da Secretaria para a Comunicação da Santa Sé e professor na Universidade Pontifícia de Latrão, em Roma. Recebeu das mãos de Francisco, a tarefa de reforma do sistema comunicacional da Santa Sé, que tem como objetivo um novo sistema comunicativo unitário, exatamente por conta da convergência digital.  Por conta disso, ao ficar sabendo que ele passaria pela cidade de Curitiba, foi uma verdadeira luta para conseguir marcar uma entrevista com o Monsenhor. Os bastidores deste encontro podem ser conhecidos no Diário de Bordo

 

Com um semblante sereno e com profundo conhecimento sobre o assunto comunicação da Igreja, Viganò explica que a comunicação de Francisco pressupõe a escuta e valorização da presença de seus interlocutores.

 

Esta proximidade das pessoas com Francisco acontece tanto pessoalmente como nas redes sociais da internet. “Começou muito bem, até mesmo superior às nossas expectativas e são os dois modos com os quais o papa está presente nas redes. Devo dizer que as reações, os comentários das pessoas seja no Twitter ou no Instagram são muito positivos quando os elementos que o papa comunica são ligados à oração, ao Evangelho, à solidariedade, é isso obviamente é o que faz hoje do papa Francisco um grande líder mundial”, explica Viganò.

 

Ao analisar a comunicação de Francisco, Viganò percebe que mesmo com todos os avanços tecnológicos disponíveis, o líder da Igreja Católica é um grande contador de histórias. “Uma característica da comunicação da Igreja hoje na perspectiva do Papa Francisco, é aquela de abandonar uma linguagem abstrata, e entrar na história da comunicação contanto os acontecimentos dos homens e mulheres de hoje”, afirma.

 


 

Ao contrário do que muitos possam imaginar Bergoglio nunca foi um homem das massas, e sim da relação pessoal. O jovem padre Bruno Franguelli, mora em Anchieta, no Espírito Santo, e pertence à mesma ordem do papa Francisco, os jesuítas. Teve a oportunidade de morar em Roma, entre os anos de 2014 a 2017. Neste período não era presbítero ainda.

 

Em junho deste ano, um dia antes de voltar para o Brasil, teve as vestes que seriam usadas no dia que ficaria padre, abençoadas pelo papa Francisco. Fica emocionado ao falar de Bergoglio, revelando assim o seu encantamento, pois o vê como alguém que faz com que o mundo tenha esperança. Ao falar sobre a comunicação, reconhece que Bergoglio em Buenos Aires não era muito próximo da mídia. “Nós jesuítas, falávamos: o que aconteceu com Bergoglio, e, todos tinham a mesma resposta: graça de estado. A graça que ele recebeu com o ministério petrino dele. Realmente isto é visível. Como sucessor de Pedro, ele é diferente do Bergoglio neste sentido. Francisco é um comunicador sim, que comunica com gestos, palavras, utiliza de todas as linguagens possíveis para comunicar, ele é muito consciente disso. Nenhum gesto do papa Francisco é um gesto acidental, nenhum gesto acontece sem uma reflexão”.


 



Francisco revela o quanto ele em si é comunicação, mediante seus gestos e sua espontaneidade, que o leva algumas vezes a quebrar protocolos. Em uma reunião privada que Dom Darci José Nicioli teve com o papa em Roma, o religioso recorda que o pontífice apareceu de pantufa nos pés e sem solidéu, conta o arcebispo de Diamantina em Minas Gerais e referência para a comissão da comunicação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).


 

 

A cultura do encontro proposta por Francisco é percebida em suas escolhas concretas, como por exemplo, ao abolir o vidro blindado do papa móvel. Francisco deseja estar e sentir-se próximo das pessoas, de tocar e deixar-se tocar pelos fiéis. Esta proximidade também é vista em seus discursos ao trazer elementos vividos por ele próprio, despertando empatia das pessoas.


O doutor em Ciências Sociais e livre-docente em Teologia pela PUC-SP, João Décio Passos, identifica três elementos do estilo comunicativo de Francisco que podem servir como espelho para toda a instituição religiosa. “Primeiro, a simplicidade da linguagem: Estilo pastoral que privilegia a linguagem coloquial, uso de imagens concretas e metáforas. Brevidade dos discursos e homilias (em torno de 10  minutos). Segundo, a transparência: Francisco não faz o jogo institucional que coloca em primeiro lugar a defesa da instituição que representa. Suas  abordagens são francas e transparentes, não poupa críticas à Igreja  como um todo, à Cúria Romana e ao clero. Em terceiro, a linguagem gestual: Além  das palavras, o gestos de simplicidade e coerência falam por si mesmos. Há quem já falou em "encíclica dos gestos", afirma o teólogo e professor.

Francisco evita a linguagem formal e solene, ao contrário, prefere uma fala direta e simples, e isto faz com que todos compreendam a sua mensagem.

 

Para Dom Darci, o papa Francisco não tem falado muita novidade, mas chega ao coração das pessoas com aquilo que já é verdade conhecida, como o amor, a justiça, a necessidade da misericórdia, a política que deve ser fruto de pessoas sérias, o progresso que só é progresso quando é de todos. Tudo isto já é conhecido, mas tem um colorido especial quando sai da boca de Francisco. Além de o papa ser o mesmo no ambiente da rede, como nas relações interpessoais. “Na Web, como na Praça de São Pedro, ele é o mesmo homem, próximo e afável igualmente, é pai. É este serviço de paternidade que ele faz, quando cumprimenta um doente, quando tem a paciência incrível de tirar uma fotografia com o jovem, de abraçar o simples e o letrado, o turista, o homem simples da rua e o político, a todos ele acolhe e acolhe generosamente”, afirma.



 

Dom Darci José Nicioli, presidente da comissão da comunicação da CNBB

 


 

 
 
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