Quem Somos
  • A equipe Redes de Francisco

     



     


    Somos acadêmicos do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, prestes a nos formar. Como objeto de estudo de nosso trabalho de conclusão de curso escolhemos a comunicação do personagem midiático papa Francisco. Uma pessoa tão fascinante que nos encantou ainda mais, depois de tudo que fomos descobrindo ao longo de nossas pesquisas e entrevistas. A equipe de trabalho é diversa e heterogênea: uma freira, um leigo que gosta de ajudar na igreja próximo de sua casa, um ateu e um sobrinho-neto de um arcebispo. 


    Viviani Moura tem 29 anos de idade e é mais conhecida entre os amigos e colegas por Irmã ou simplesmente Vivi. É uma freira pertencente à Congregação das Irmãs Paulinas, que tem como carisma a comunicação. Assim que se formar vai continuar colocando o jornalismo a serviço da vida e da missão paulina.


    Andrey Princival Gabardo tem 22 anos de idade. Seu grande sonho de vida é trabalhar com televisão. Desde pequeno sonhava em cursar jornalismo. Atualmente auxilia a Pastoral da Comunicação da igreja que participa, fazendo vídeos, reportagens e transmissões ao vivo de missas e novenas.


    Vinicius Costa Pinto tem 23 anos de idade. É ateu, mas engana-se quem pensa que ele não admira o papa Francisco. Acredita que não é preciso ter uma religião para fazer o bem ao próximo. Tem verdadeira paixão e sabe tudo sobre filmes.


    Pedro Henrique Colatusso tem 21 anos de idade. Resolveu fazer jornalismo um mês antes da inscrição do vestibular e se encontrou na área. Cresceu em um ambiente católico e atualmente é coordenador da Pastoral da Comunicação da paróquia que frequenta, produzindo, junto com uma equipe, uma revista mensal.


    Unidos com o objetivo comum de se graduarem em jornalismo, uniram-se também para a realização deste grande trabalho de pesquisa, produção, entrevista, e edição, que resultou nesta reportagem multimídia sobre o papa Francisco. Um papa cuja admiração, que já era grande, aumentou ainda mais!


     


    FICHA TÉCNICA E CRÉDITOS INSTITUCIONAIS





    Trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, produzido em 25 de outubro de 2017


    O PAPA COMO PERSONAGEM CONTEMPORÂNEO NO CIBERESPAÇO - A GRANDE REPORTAGEM MULTIMÍDIA REDES DE FRANCISCO


    Andrey Princival Gabardo


    Pedro Henrique Colatusso


    Vinicius Costa Pinto


    Viviani Moura


    Orientadora: Professora Mestra Criselli Maria Montipó


    Coordenação do curso de Jornalismo: Julius Nunes


    Decana da Escola de Comunicação e Artes: Eliane Francisco Mafezzolli


    Reitor: Waldemiro Gremski


     


    Desenvolvimento do site: Arcanjo Comunicação Católica


     


     


     


     

  • Diário de Bordo

     


    Uma verdadeira Torre de Babel


    Para realizar a Grande Reportagem Multimídia sobre o papa Francisco, foi necessário trabalhar com os idiomas português, italiano, espanhol e inglês presentes no trabalho de apuração


    Viviani Moura


     


    Março de 2017. Retorno ao último ano da faculdade. Manhã curitibana atípica, o sol logo cedo tinha dado as caras. Nas primeiras aulas não tínhamos como fugir, era hora de pegar em mãos a conhecida ‘pauta’ para colocar em prática, o Trabalho de Conclusão de Curso, o famoso TCC. Este grupo que normalmente fazia trabalho nos semestres anteriores, por alguns instantes se olhou. A comunicação não verbal queria dizer: Assumimos esta empreitada? Até que um dos membros, falou: “Sim?” O outro respondeu: “Claro, vamos fazer juntos”, e assim manifestou também o desejo dos demais.


    E assim a equipe estava formada. Uma experiência que não tínhamos ideia do que viveríamos pela frente a partir desta escolha. Tínhamos uma certeza. Sabíamos que seria uma fase de muito aprendizado, muitas pessoas, muitas histórias, de muita emoção e adrenalina. Depois disso, vários brainstorming foram feitos. Muitas ideias e também várias mudanças. Até que o dia iluminado surgiu. Foi em uma aula de Jornalismo Literário e Livro-Reportagem. O professor Paulo Camargo explicava de forma detalhada, as características dos perfis, termo técnico do jornalismo que se refere às narrativas sobre pessoas. Em um determinado momento citou como exemplo o papa Francisco. Ele teria interesse em ler aspectos da infância do pontífice. A lâmpada acendeu. Sim, porque não um multi-perfil sobre o papa Francisco? Infância, adolescência, seminarista, cardeal, papa? Sim, muita história para contar. Em outro momento conversando com o professor Fábio Muniz sobre o papa Francisco, ele disse que gostava de acompanhar o papa no Instagram.


    Apareciam assim os primeiros sinais da Grande Reportagem Multimídia sobre o papa Francisco. A professora Criselli Montipó, nossa orientadora, abraçou a proposta e a partir disso, deu-se início a um caminho frutuoso de pesquisa, diversos encontros de orientação, dúvidas, esclarecimentos, partilhas de alegrias e desafios encontrados pelo caminho. Em julho, foram realizadas as primeiras entrevistas em São Paulo. As três primeiras fontes foram com o padre e cantor padre Zezinho, a jovem Ana Carolina Cruz, que arrancou gargalhadas do papa com uma repercussão mundial, e o professor e teólogo da PUCSP, Fernando Altemeyer Júnior. No retorno de São Paulo a Curitiba, no ônibus, um dos membros da equipe foi furtado. Sua mochila, com seu notebook com os materiais do TCC e outros pertences foram levados. Imprevistos que não tem como calcular. Graças à tecnologia, as entrevistas feitas em vídeo estavam na nuvem. Com exceção de um vídeo que pôde ser recuperado.


    Tirando o susto, foi dado prosseguimento ao trabalho. Ao saber de que o Monsenhor Viganó estaria presente em um evento em Joinville, Santa Catarina, sobre comunicação, organizado pela Igreja Católica, o trabalho investigativo começou. Descobrimos por intermédio de algumas fontes que ele passaria por Curitiba, teria compromissos com o prefeito da cidade e que também conheceria a Rádio e TV Evangelizar. Descobrimos onde ele estava hospedado e também que o padre que o estava acolhendo, estava cuidando da agenda do religioso, enquanto estaria na capital paranaense. Com todos os dados na mão, o passo seguinte foi ligar, apresentar a proposta da Grande Reportagem Multimídia sobre o papa Francisco e que precisávamos entrevistar de qualquer maneira o representante da Santa Sé naqueles dias no Brasil. Foram muitos os telefonemas, mensagens trocadas via dispositivo móvel, até ser encontrado um espaço para que pudéssemos entrevistar Viganò. Tudo ocorreu da melhor maneira possível.



    A entrevista aconteceu nas dependências da TV Evangelizar. Meia hora antes do horário marcado já estávamos lá, para arrumar a câmera, ver com o diretor de Jornalismo um cenário adequado. A ansiedade estava a mil por hora. Afinal, era alguém próximo do papa e também ele falaria em italiano. Ansiedade e alegria tomavam conta de nós. O Monsenhor chega acompanhado pelo padre, cumprimenta, mostra-se simples e acessível e fala com espontaneidade sobre a nova comunicação da Igreja Católica sobre a perspectiva do papa Francisco, assunto que já lhe rendeu um livro, intitulado Irmãos e irmãs, boa noite!


    Após a nossa entrevista com o monsenhor, a própria TV Evangelizar estava preparada para também entrevistá-lo, mas resolveram aproveitar as perguntas que já haviam sido feitas pela equipe. Foi gratificante. É de se perceber que os vizinhos do Paraná fizeram parte da jornada de reportagens. Agora foi a vez de viajar até Santa Catarina, para as cidades de Joinville e Nova Trento. Dois membros da equipe foram ao evento de comunicação para entrevistar o jornalista da Rádio Vaticano, Silvonei José Protz que participaria do encontro. Foram com convicção de que a viagem renderia no sentido de conseguir boas fontes. Não houve engano. Foi realmente o que aconteceu. Chegando lá, cada conversa e palestra, havia uma atenção especial para encontrar outros entrevistados. Após entrevistar o atencioso Silvonei, foi a vez de conversar com o simpático arcebispo de Diamantina, Minas Gerais, Dom Darci José Nicioli, que em suas experiências de vida, traz uma em especial, já esteve com o papa Francisco em sua sala de reuniões na casa Santa Marta, lugar onde o pontífice mora.


    Além dele, foi entrevistado o criador da logomarca da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, Gustavo Huguenin, que em 2013 teve a oportunidade de apresentar e conversar com o papa sobre a logo criada. Em seguida, foi a vez de conversar com a jornalista Fabíola Goulart. Ela fez a cobertura da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro como voluntária. Emocionada, lembrava o momento que recém-casada vestida de noiva, recebeu a benção do papa e um abraço do pontífice. Isto ocorreu na tradicional bênção aos recém-casados nas audiências papais nas quartas-feiras, na Praça São Pedro. Viajamos até Nova Trento.


    Nos bancos da Igreja do Santuário de Madre Paulina, o recém-padre jesuíta Padre Bruno Franguelli, recordava com alegria, emoção e entusiasmo as experiências que teve de estar próximo ao papa, nos anos de 2014 a 2017, período que morou em Roma. Sendo o perfilado natural da Argentina, e agora da Itália e do mundo, a barreira geográfica e também linguística estiveram presentes do início ao fim. Não foi possível realizar uma viagem até Buenos Aires, mas esta lacuna foi preenchida de outras formas. As novas tecnologias e seus recursos favoreceram bastante para que diminuísse a distância entre os membros da equipe e os entrevistados destes países, fazendo uso das redes sociais, como Facebook, Instagram, sites de busca e softwares, como o WhatsApp e os tradicionais e-mails, de maneira que houve uma coerência com o próprio tema do trabalho: o papa como personagem no ciberespaço.


    Era preciso encontrar alguém que conhecesse Bergoglio na época que ele era seminarista, jovem jesuíta, provincial. Para isso, a primeira ideia foi de encaminhar um e-mail para a Cúria dos Jesuítas em Buenos Aires. O e-mail foi enviado e alguns dias depois foi recebido um retorno direcionando ao jesuíta Juan Carlos Scannone, dizendo que seria a pessoa que mais conhecia Bergoglio. Ele foi professor de Bergoglio na época de seminarista e também é considerado referência da Teologia da Libertação da América Latina, conhecida como Teologia do Povo na Argentina.


    No primeiro momento, achávamos que não teríamos uma resposta, pois os dias se passavam e nada de um retorno do e-mail encaminhado a ele. Até que certo dia ao abrir a caixa de e-mails uma surpresa: o professor do papa Francisco e um dos maiores nomes da Teologia da Libertação havia respondido. Encaminhamos as perguntas e ele respondeu de forma gentil, pedindo desculpas, pois não teria tempo de respondê-las, por conta de algumas viagens internacionais a trabalho, inclusive estaria vindo ao Brasil, nas cidades de São Leopoldo e Caxias do Sul e também passaria por Belo Horizonte. Não desistimos. Fomos atrás e descobrimos que ele daria uma palestra denominada ‘‘El bien común desde una mirada filosófica y teológica latinoamericana’, no XIII Simpósio Internacional Filosófico-Teológico da Faculdade Jesuíta.


    Por intermédio de conhecidos que residem em Belo Horizonte e que por coincidência participariam da palestra, conseguimos uma entrevista rápida e objetiva com Scannone, o professor do papa Francisco, que aos 86 anos de idade, mostra alegria e orgulho de ter feito parte da vida de Bergoglio como mestre.


    Diversos livros foram lidos para conhecer melhor o personagem, obras em que ele mesmo tinha sido entrevistado, reportagens feitas sobre ele e para isso foi necessário apuração e checagem das informações. O trabalho maior foi de localizar o telefone e o e-mail das fontes que tivessem conhecido, trabalhado com Bergoglio durante a época em que ele morava em Buenos Aires e atualmente em Roma. Foi um verdadeiro processo de escavação e fomos percebendo que uma fonte conduzia a outras fontes. E o garimpo continuava e as peças do quebra-cabeça iam se encaixando. Os entrevistados se simpatizavam com a reportagem e eles mesmos iam ajudando a encontrar o contato de outras pessoas que poderiam ajudar. A solidariedade foi uma marca do trabalho do começo ao fim. Uma prova disso foram as fotos concedidas gratuitamente pelo jornal L’Osservatore Romano, Editora Paulinas e as imagens compradas pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.


    Podemos perceber este aspecto também nas fotos e nos vídeos enviados pelos próprios entrevistados com as respostas das perguntas enviadas por e-mail ou por dispositivos móveis. No dia 2 de outubro recebemos uma notícia maravilhosa. Um dia memorável. Desde o início tínhamos como um dos objetivos conseguir que o papa ficasse sabendo do nosso trabalho e que ele enviasse um vídeo exclusivo para nós. Lutamos tanto até conseguir chegar a alguém mais próximo do papa possível. Até que conseguimos por intermédio de um padre, que deseja que a sua identidade seja preservada. Ele encaminhou um e-mail ao pontífice com os nomes da equipe, o objetivo do trabalho e pedindo que o papa encaminhasse um vídeo curto sobre o que ele espera dos jovens comunicadores. O papa em menos de 24 horas respondeu, expressando a sua alegria em saber do trabalho e explicando que nestes meses estaria com uma demanda de trabalho e que não era possível gravar. Ficamos imaginando que se fosse em outro período, quem sabe ele até enviaria o vídeo. Ficamos felizes do mesmo modo.


    Por outro lado, também recebemos vários nãos, mesmo com nossa persistência. Mas compreendemos a situação. Por exemplo, descobrimos fontes que trabalham diariamente muito próximo ao papa Francisco na Cúria Romana. Mandamos e-mail, mensagens via WhatsApp, foram gentis ao dar um retorno, informando que não poderiam conceder entrevistas, condição esta que assumiram ao começar a trabalhar dentro do Vaticano. Da mesma forma, conseguimos o e-mail pessoal do sobrinho do papa, filho da única irmã viva do pontífice, mas devido a tantas demandas de trabalho, ele não conseguiu dar um retorno em tempo de este trabalho ser apresentado.


    Além disso, um dos membros, Pedro Henrique Colatusso ficou encarregado de entrar em contato com o cardeal Dom Raymundo Damasceno, arcebispo emérito de Aparecida e amigo do papa. Ele estava há dias tentando falar com o cardeal, até que conseguiu. Chegou a conversar com ele por telefone, e ele se colocou à disposição para responder algumas perguntas por e-mail. Mas um tempo depois o cardeal entrou em contato avisando que, infelizmente, não poderia contribuir, pois estava lançando um livro sobre o mesmo assunto. “Por um lado, ficamos tristes. Mas por outro, felizes, diante da relevância do nosso trabalho. O livro foi lançado e é maravilhoso. Se você puder, leia! O título é: Nossa Senhora Aparecida e o Papa Francisco - a devoção do papa pela Padroeira do Brasil”, enfatiza Pedro.



    Mas além dos bastidores das entrevistas e dos entrevistados, houve também um fato inusitado e curioso com um dos membros da equipe. Vinicius Costa Pinto é o único ateu do grupo. A entrevista com o bem-humorado padre Anísio José Schwirkowski, idealizador da Jornada Mundial da Juventude no Brasil e acompanhante do papa no Rio de Janeiro, também comunicador social, o marcou. O padre teve a cortesia de compartilhar um café da tarde, na companhia também das sorridentes secretárias da Igreja. Padre Anísio tem programa semanal de entrevistas na TV Evangelizar e viu ali mais uma oportunidade de colocar sua habilidade em prática. O próprio Vinicius partilha: “Me lançou uma pergunta de supetão enquanto beliscava alguns salgados que estavam à mesa, ‘E você, é católico?’. Bem, na realidade eu sou ateu, mas fiquei em uma sinuca de bico, para ser objetivo demais com uma figura tão agradável. Olhei para os farelos dos quitutes e respondi incerto: ‘Minha formação é católica’. Ele respondeu com um ‘Ah, tá!’. Não muito convencido, não sei por que não falei a verdade. Não havia restrição nenhuma, nada. Ninguém me julgaria, absolutamente bloqueei minha reposta. Mas de certa maneira não queria ofender, não queria bancar o estranho no ninho, sei lá, é complicado. Quando perguntou se queria açúcar no café, respondi que não (gosto de café passado puro mesmo). Sorriu e retrucou, ‘Por quê, tua religião não permite?’. Finalizou com uma risada e deixou para lá”. Este fato mexeu com o Vinicius e o fez lembrar do seu passado.


    Quando tinha uns 10 anos de idade, estudava em uma escola localizada no bairro Alto da Glória. Sua mãe todas as quartas-feiras o buscava na escola e seguiam juntos para o Santuário Nossa Senhora Perpétuo Socorro. Gostava de frequentar a missa, fazia genuflexão, a ponto de sua mãe dizer que parecia até um adulto rezando. Queria ser padre. Mas a vida deu voltas. “Por volta de meus quinze anos, ouvindo punk rock, sempre emprestando livros de sociologia na biblioteca do Colégio Estadual Leôncio Correia, eu me decidi. Sou ateu e ponto. E continuo”, afirma convicto. Treze anos se passaram e Vinicius volta de uma entrevista e conta para sua mãe da hospitalidade, da simpatia genuína das pessoas, o café farto com o padre Anísio e os olhos de sua mãe brilharam. Vinicius recorda o que sua mãe o disse: “Viu como a vida consagrada é boa”. Suspirou e disse para si mesma, “Agora ele segue a vida vocacional”. “Não mãe, acho que não.”


    Com isso, percebemos que a reportagem Redes de Francisco não só nos fez conhecer o passado do papa Francisco, como também de alguém próximo de nós. A ponto de até serem suscitadas esperanças do coração de mãe. Podemos chegar ao final deste longo percurso de aprofundamento sobre esta liderança religiosa, com a certeza de que jornalismo não se faz sozinho e quando estamos dispostos a fazer um trabalho com ética, profissionalismo e paixão, o resultado é satisfatório. Gratidão e alegria são os sentimentos que melhor expressam a nossa experiência ao realizar a Grande Reportagem Multimídia Redes de Francisco.

Copyright © Redes de Francisco. Todos os direitos reservados.